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Da Copa para Curitiba: cidade já recebeu moradores de todos os países que disputam o Mundial de 2026

Texto: Matheus Neme (sob supervisão de Guilherme Voitch)
Prefeitura de Curitiba

Curitiba já recebeu moradores de todos os países participantes da Copa do Mundo de 2026. Levantamento com base em dados do DataMigra, plataforma do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) e do Ministério da Justiça, mostra que, entre 2010 e 2026, a capital registrou residências de estrangeiros vindos de 160 países diferentes. Entre eles, estão todos os países que disputam a Copa do Mundo.

Os registros revelam como movimentos de estudo, trabalho, refúgio, missões religiosas e oportunidades aproximaram Curitiba de diferentes partes do planeta e ajudam a mostrar como a diversidade migratória passou a fazer parte do cotidiano da cidade.

Entre os países que disputam o Mundial, o Haiti está na primeira colocação, com 7.175 registros de residência em Curitiba desde 2010. Na sequência aparecem Colômbia (2.094), Argentina (1.737), França (1.724) e Estados Unidos (1.495).

Fora do universo dos países que disputam a Copa, a Venezuela lidera com ampla diferença. Foram 26.223 registros no período, volume que supera sozinho qualquer país presente no torneio e ajuda a explicar mudanças recentes no perfil migratório na capital paranaense.

Ao considerar apenas os países que disputam o torneio, Curitiba acumulou mais de 21 mil registros de residência desde 2010. No total, somando todas as nacionalidades presentes na plataforma, são mais de 55 mil registros administrativos no período.

Do outro lado estão países que tiveram presença muito menor ao longo dos últimos 16 anos. Entre as seleções da Copa com menos registros estão o Iraque (10), Costa do Marfim (8), Catar (5), Uzbequistão (3) e Curaçao, com apenas um registro identificado.

Atuais campeões

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A argentina aparece entre as cinco nacionalidades dos países da Copa com mais registros de residência em Curitiba.

Desde agosto de 2023 na cidade, o cônsul-adjunto da Argentina em Curitiba, Alejandro Ocampo, acompanha o atendimento aos conterrâneos que vivem no Paraná e afirma que os registros oficiais mostram apenas parte dessa presença.

“Aqui em Curitiba existe uma boa comunidade argentina. Tem vários que chegaram por trabalho, por empresas que trouxeram profissionais para atuar na cidade, e também pessoas que vieram para empreender ou tentar construir uma vida aqui”, afirma o cônsul.

Segundo Ocampo, a presença argentina na região acompanha movimentos ligados ao trabalho, à indústria e à instalação de empresas argentinas. Além do atendimento consular, o órgão também atua na promoção comercial, turística e cultural entre os dois países.

Em ano de Copa do Mundo, ele diz que o futebol funciona como um elo adicional entre quem está longe de casa e acompanha a seleção à distância. Atual campeã mundial, a Argentina chega ao torneio novamente entre as favoritas.

“Quando a Argentina ganhou a Copa América em 2021, depois de tantos anos sem títulos, tirou um peso muito grande. Depois veio o Mundial de 2022 e foi uma experiência muito forte para o país. Para muitos argentinos foi a primeira vez vendo a seleção campeã do mundo”, diz.

Para Ocampo, torcedor do River Plate, esse ciclo mudou a relação entre torcida e seleção e ajuda a explicar o entusiasmo em torno da equipe também entre argentinos que vivem fora do país.

“A expectativa agora é boa porque existe um grupo que mistura juventude e experiência. Mas Copa do Mundo é muito difícil. A Argentina é candidata ao título, como Brasil, Espanha, França e outras seleções, então a expectativa existe, mas com pé no chão”, completa.

Retorno depois de 40 anos

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No outro extremo da presença estrangeira em Curitiba está o Iraque. Entre as seleções da Copa, é um dos países com menor número de registros de residência na cidade.

Mesmo assim, a história de Abdul Rahman, que chegou ao Brasil ainda criança, ajuda a dar rosto a essa presença pouco menos numerosa. Nascido no Iraque, na cidade de Arbil, ele vive em Curitiba desde a infância, após a família deixar o país na década de 1980.

Adbul construiu sua vida na cidade, formou-se em Artes Cênicas e Cenografia e chegou a viver quase uma década na Espanha antes de retornar à capital. Hoje trabalha com produção de eventos e cenografia temática.

“Eu tenho uma relação de formação muito forte com Curitiba. Fiz meus estudos aqui, construí minha trajetória profissional e devo bastante à cidade. A gente procura retribuir da melhor maneira toda essa bagagem que adquiriu vivendo por aqui”, diz.

Filho de pai iraquiano e mãe brasileira, ele conta que cresceu entre referências dos dois países e diz que o vínculo com a origem nunca se perdeu.

“O Iraque é um berço muito grande de culturas, é uma região com milhares de anos de história e isso cria uma identidade muito forte. Mesmo vivendo há tantos anos fora, essa ligação continua presente”, afirma.

Mesmo sem retornar ao país desde que saiu ainda criança, Abdul acompanha à distância o retorno da seleção iraquiana, depois de 40 anos longe da competição, e vê no futebol um significado que vai além do esporte.

“Eu vejo como algo muito positivo a volta do Iraque para a Copa, já que a última vez foi em 1986. A participação da seleção na competição ajuda a trazer autoestima para o povo iraquiano, principalmente para novas gerações”, completa.

Os números por trás da Copa

Os dados da plataforma DataMigra consideram registros administrativos de residência de estrangeiros em Curitiba entre 2010 e 2026 e não representam, obrigatoriamente, permanência ou a população atual.

A plataforma utiliza dados do Sistema de Registro Nacional Migratório (SISMIGRA) da Polícia Federal.

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